Após o comentário deixado pelo professor, apercebi-me que, de facto, o meu artigo sobre a obra de Kandinsky pecava por não abordar suficientemente a perspectiva crítica sobre os elementos e técnicas de comunicação visual por ele utilizados. Como tal, depois de ler e pesquisar mais sobre o assunto, deixo-vos aqui uma visão mais pessoal da obra deste pintor.
"Sea en la composición o en la visión, la información contenida en los datos visuales tiene que emerger de ellos o ser filtrada por el tamiz de la interpretación subjetiva" (D. Dondis)
"Composição Clara"
No quadro denominado "Composição Clara" (1942), Kandinsky expressa-se recorrendo a diversas formas geométricas, que, apesar de constituirem elementos individuais, a sua disposição transmite uma sensação de unidade, ou seja, "un equilibrio adecuado de elementos diversos en una totalidad que es perceptible visualmente" (D. Dondis).
As linhas curvas exprimem uma certa espontaneadade expressiva, contudo, o seu traço bem definido reflecte delicadez e a certeza do artista daquilo que está a fazer. "Las fuerzas direccionales curvas tienen significados asociados al encuadriamento, la repeticion y el calor" (D. Dondis).
"El color no sólo tiene un significado universalmente compartido a través de la experiencia, sino que tiene también un valor independiente informativo a través de los significados que se adscriben simbólicamente" (D.Dondis)
Toda a composição é pintada em tons claros, isto é, a luz rodea cada elemento visual conferindo-lhe uma claridade relativa. Sobresai uma matiz de amarelo luminoso, suavizada pelo uso de cores mais frias como o verde, o roxo ou o preto.
A saturação é outra das características desta obra, sobretudo nos tons mais claros, que aponta para uma neutralidade cromática súbtil e tranquilizante.
O desenrolar dos planos é abstrato. A partir de um círculo transparente situado à direita do quadro, Kandisnky constrói o primeiro plano. Por traz dele, duas formas se situam. Uma delas sobrepõe outra, mais geométrica. A forma maior fica por trás dessas duas: quatro planos, então, se desenrolam. Essa sobreposição de planos é incessante e num movimento circular brusco em direção ao plano superior da obra, organiza-se a sua profundidade. É uma profundidade abstrata iluminada por uma luz clara, sem foco específico...
"Comecei por ficar interdito, depois dirigi-me rapidamente para esse quadro misterioso (no qual via apenas formas e cores cujo tema era incompreensível). Depressa descobri a chave do enigma: era um dos meus quadros que estava apoiado de lado."
"Kandinsky, citado por José Gil em "A Imagem-Nua e as Pequenas Percepções"
"Composição VII"
Esta obra de Kandinsky é um dos expoentes da presença de elementos básicos da comunicação visual na pintura. Todo o quadro está repleto de linhas e pontos, de formas circulares, quadradas e triangulares, de cor, escala (sobretudo dos círculos e das linhas) e contraste (da cor e das próprias formas geométricas) e até o plano de fundo apresenta uma textura peculiar.
A disposição aleatória destes elementos permite criar uma sensação de movimento, mas, ao mesmo tempo, transmite uma certa musicalidade, como se todos os elementos se juntassem harmoniosamente como as notas de uma música.
"Pintar é uma arte. A arte é um poder que deve ser dirigido para o crescimento da alma. Se a arte não realiza seu trabalho, o abismo que nos separa de Deus permanece sem uma ponte."
Kandinsky
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